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Festa Literária de Paraty Debate Intolerância

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Festa Literária de Paraty Debate Intolerância

Fonte: Correio Braziliense - 04/07/2015

Por: Nahima Maciel

A intolerância sempre existiu e, ao longo da história da civilização, encontrou os mais diferentes focos. Seja religioso, de gênero, de raça ou social, o preconceito moveu a humanidade em direção a seus maiores desastres, por isso nunca é demais reunir uma boa leva de pensadores para refletir sobre o tema. É um pouco com essa perspectiva, e com a certeza de que as diferenças são necessárias e enriquecedoras da experiência humana, que a Casa Libre e a Nuvem de Livros convidaram mais de 30 escritores, intelectuais, poetas e ativistas para uma série de debates sobre a intolerância durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece até amanhã na cidade histórica fluminense.

Dividido em mesas com temas que pensam a intolerância de perspectivas que vão da infância e da cultura afrodescendente até comida, arte, sustentabilidade e ditadura, o ciclo pretende mesclar diversos olhares para falar de diversidade, pluralidade e discriminação. “Cada mesa propõe uma abordagem diferente da intolerância, que é encarada de várias maneira”, avisa o curador, Luis Maffei.

Assim, o argentino Bruno Bimbi, que articulou o movimento pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina, vai dividir a mesa Ditaduras: da exceção à opressão, com o delegado Orlando Zaccone, cientista social especializado em exclusão, e Marcelo Godoy, autor de A casa da vovó, sobre os crimes praticados pela ditadura. Radicado no Rio de Janeiro e autor do livro Casamento igualitário, Bimbi acha perigosa a palavra tolerância quando se fala de discriminação. “Eu não gosto de usar o conceito de ‘tolerância’ nesse tipo de debates, porque a gente tolera aquilo que nos desagrada, que nos causa rejeição ou repugnância”, explica. O argentino ficou conhecido em seu país pela campanha pela aprovação da lei do casamento igualitário, mas também por ser um crítico contumaz do papa Francisco, que foi duro em relação aos homossexuais na época da aprovação da legislação. “Bom, na época do debate da lei de casamento igualitário, ele disse que o projeto de lei era uma manobra do Demônio para destruir a criação de Deus e convocou os cristãos a uma guerra ‘santa’ contra os direitos dos homossexuais. Eu acho que ele achou que se o casamento gay fosse aprovado pela primeira vez na América Latina no país onde ele era o chefe da igreja, ele perderia a chance de ser papa, que era o que ele queria”, garante Bimbi.

Consciência negra

Em Poesia e produção do pensamento, Maffei e poeta Zé Luis Rinaldi falam do papel dos versos na sociedade e Literatura e consciência negra é tema de bate-papo com a escritora mineira Conceição Evaristo, autora de romances sobre discriminação racial. Para Maffei, a contemporaneidade é multifacetada, mas duas de suas faces são muito claras: “Há o recrudescimento da intolerância em várias faces, com um crescimento preocupante da violência em nome da religião, mas, por outro lado, não se admite mais esse tipo de coisa como normal na dinâmica da sociedade”, Rinaldi aponta que o papel do escritor, quando se trata de intolerância, é pensá-la poeticamente e insistir na beleza. “Porque ela mata e é capaz de aniquilar a beleza e a riqueza humanas. Penso, entretanto, que não se trate apenas de combater a intolerância, não basta apenas mantê-la sob o controle da tolerância. É necessário que o homem se disponha a um relacionamento positivo com a diferença”, diz.

Já o escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Antonio Torres tem como missão falar da “fabulação do mundo na criação de imagens”, mas ele sabe que não será difícil aproximar esse tema da intolerância. A literatura reflete o mundo e Torres lembra do romance Enigmas da primavera, de João Almino, como uma leitura recente que trata da intolerância. No livro, um jovem brasileiro de origem muçulmana está a meio caminho da radicalização e do fundamentalismo religioso. O próprio Torres abordou a discriminação em Essa terra, no qual um personagem é vítima de violência homofóbica. O acadêmico observa com certo medo a onda de intolerância no Brasil. “O país vive uma onda horrível e de todo lado. É uma coisa que acho que é acirrada pela crise econômica, a crise econômica puxa coisas do arco-da-velha, sentimentos muito arcaicos. A gente assiste aqui a um conflito que a gente não sabe onde vai dar”, lamenta.